Nice, Orlando, Paris, Bruxelas

É com grande pesar e tristeza que escrevo estas palavras. É impossível começar por exprimir o quão horrível e revoltantes acontecimentos como aqueles que aconteceram em Nice são. Mas não pretendo ficar de luto, chorar ou rezar; não culpo nenhum país, etnia ou, sequer, religião.

Apesar das linhas anteriores, não irei referir especificamente o que aconteceu em Nice nem irei falar os incontáveis ataques que testemunhámos nos últimos anos. Foram demasiados aqueles que aconteceram e demasiado poucos aqueles que receberam cobertura dos media. Isto é sobre todos os ataques que ficaram na obscuridade e todos aqueles que, por acontecerem na Europa, foram transmitidos para quase todos os lares do mundo.

Vivemos num mundo em mudança, mas quase parece que em vez de evoluir estamos a retroceder. Vivemos num mundo que promove igualdade, prega liberdade, mas ao mesmo tempo não lutamos contra a intolerância; pelo menos não como devíamos, como podíamos. Ensinamos as crianças a respeitar e até a amar o próximo mas a maior parte de nós fá-lo como uma obrigação moral. A maior parte de nós é ainda alimentado pelo preconceito e estereótipos, não gostando “dos pretos” ou encolhendo aquando da passagem de um Muçulmano. Pequenas ações, pequenos pensamentos como este acumulam-se numa mentalidade intolerante.

Qualquer um que proclame como solução para esta luta incansável a guerra, não é senão o seu próprio inimigo. Pois existem aí pessoas inocentes que esperam o dia em que finalmente serão livres. Devemos destruir as suas casas, matar as suas famílias, tomar a suas vidas como danos colaterais? Recuso-me a ouvir que esse teria que ser o preço a pagar: uma vida pela outra. Temos todos o mesmo valor e como tal todos temos o mesmo direito a viver livres, desde que não interfiramos com a liberdade de qualquer outro.

Disse antes que não culpava nenhuma etnia ou religião. Conforta-me saber que não sou o único, mas ainda existem demasiados que culpam Muçulmanos pelas ações de um grupo de extremistas odiados até pelos da sua própria fé. Os Muçulmanos têm na sua maioria tanta culpa como qualquer um de nós.

Vamos por isso lutar contra isto da melhor forma que conseguimos. Vamos lutar não com armas, mas com ações, com palavras, com tolerância. Um dos homens mais inteligentes que alguma vez viveu disse:

“Não podes ensinar nada a um homem, apenas podes ajudá-lo a encontrar isso dentro de si.”

– Galileo Galilei

Acredito profundamente que todos temos aquela tolerância, aquele amor dentro de nós próprios e que se nos esforçarmos conseguiremos encontrá-la.

Tiremos um momento para refletir sobre todos aqueles que foram perdidos. Para nos apiedarmos das vítimas de todos os ataques que aconteceram até ao dia de hoje, ataques os quais ouvimos falar e ataques que serão para sempre desconhecidos. Rezemos se para tal estivermos inclinados, choremos se tal tivermos que fazer. Recordemos todos aqueles que foram e são afetados por todas as guerras que estão a decorrer no nosso mundo. E depois lembremo-nos que ainda estamos vivos. Lembremo-nos  que ainda temos oportunidade de corrigir o mundo, de fazer paz e não guerra.

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