O Gene Gay

Tem existido uma constante discussão sobre a existência (ou não) de um gene que codifique a homossexualidade, bissexualidade e, quem sabe, talvez no futuro viremos a ouvir falar do gene assexual e do gene transsexual. Surge então uma questão: seria a existência deste gene possível à luz da teoria explicativa da evolução dos seres vivos que é atualmente mais aceite, o Neodarwinismo?

Começamos então, como espectável, com uma população de homo sapiens sapiens. Estes são diferentes entre si em muitos aspetos, desde os mais pequenos e impercetíveis àqueles que saltam à vista. Esta tão grande diversidade que elementos de uma mesma espécie apresentam deve-se ao facto de nenhum ser humano, nenhum ser vivo até, possuir o mesmo código genético. No meio do código genético de um número muito pequeno de indivíduos, em qual molécula não se sabe ao certo, surge um gene novo (produto de mutações) diferente de todos outros. Este é o gene que codifica comportamentos homossexuais, gene gay para abreviar.

Até este ponto tudo parece ser possível e conforme uma explicação neodarwinista apropriada. Mas é a partir daqui que surgem as complicações.

Atua a seleção natural, a sobrevivência do mais forte, do mais apto. Só aquele que possui o conjunto de genes que se traduzem numa melhor adaptação conseguem sobreviver. Pela forma como a homossexualidade tem vindo a ser perseguida desde os primórdios da Igreja Católica, conseguimos ver de imediato que possuir um gene gay não se mostra em nada favorável. Perseguição, castração, desmembramento e queima na estaca não surgem em conformidade com nenhuma definição de boa adaptação. Primeira falha.

Finjamos que a cultura ocidental foi sempre dotada de uma tolerância perfeita e incondicional, aceitando todas as diferenças e que por isso nunca existiu qualquer tipo de perseguição àqueles que se mostrava diferentes do padrão cultural da época. Todos os indivíduos possuidores do gene gay sobreviveriam até ao fim da sua vida, fosse este precoce ou quando já se viam incapazes de lembrar do rosto dos próprios pais. É lógico, e assim nos dizia Darwin e os seus sucessores, que apenas os genes dos indivíduos que se reproduzem podem ser transmitidos às gerações seguintes. Ora, aqui se encontra a grande lacuna da Teoria do Gene Gay e de todas as outras teorias que pretendem associar a homossexualidade e bissexualidade à genética. É bem sabido por todos que a homossexualidade não leva à reprodução e como tal o gene gay nunca poderia ser transmitido. Assim nunca poderia aumentar a sua frequência na população de homo sapiens sapiens, isto é, na nossa sociedade. Segunda falha.

Diriam agora os entusiastas e entendidos da Genética que o gene gay poderia surgir como surgiu no primeiro indivíduo, através de mutações. Certo, poderia mas apenas idealmente. As probabilidades de no seio de toda a população humana surgir um mesmo gene num número de indivíduos tão significativo como o que se trata, são muito reduzidas, ou, mesmo nulas.

Assim a existência de um gene gay ou de qualquer outro elemento genético que codificasse comportamentos homossexuais torna-se quase impossível. Mas não lhe devemos tirar o método todo: trata-se de uma bela alternativa à aceitação. Se fingirmos que tudo aquilo que é diferente de nós próprios tem uma explicação genética e que é por isso uma anomalia (do que se trata afinal uma mutação se não de uma anomalia?), conseguiremos dormir muito melhor à noite.

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